Notícias > Fevereiro 2010
Citros: Tendência de alta no curto e no longo prazo
As cotações do suco de laranja concentrado e congelado estão em alta na Bolsa de Nova York. A forte alta dos preços futuros do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na Bolsa de Nova York (ICE) nos últimos meses decorre das quebras na safra 2009/2010 da Flórida/EUA e da safra 2010/2011, em São Paulo, os dois maiores estados produtores de citros para suco no mundo. A estimativa para produção da safra 2009/2010 de laranja da Flórida foi revisada pelo USDA para 129 milhões de caixas de 40,8 Kg, contra 135 milhões de caixas de 40,8 Kg previstas em janeiro. A região observou oito dias de temperaturas baixas que afetaram as lavouras, especialmente a safra tardia de Valencia. O USDA afirmou que continuará investigando os danos para avaliar a possibilidade de maior redução. O USDA avalia as perdas na safra em 6 milhões de caixas de 40,8 Kg.
A notícia não foi uma surpresa. Contudo, é uma redução
significativa numa safra considerada pequena. Além dos problemas causados por
geadas, o relatório indicou frutas pequenas e maior taxa de precipitação, que também
afetaram o tamanho da safra. A produtividade de suco para a temporada 2009/2010
foi revista para 1,56 galão por caixa, 3% inferior à estimativa de janeiro e 6% menor
que no final da temporada passada, de 1,66 galão por caixa. O USDA deverá voltar a
reduzir a projeção para a safra no próximo relatório, em março. A estimativa de
produção pode cair para ao redor de 125 milhões de caixas de 40,8 Kg, quando toda a
contagem e colheita terminarem. A safra de laranja 2010/2011 no Estado de São Paulo
pode ser até 20% menor. O excesso de chuva, no fim de 2009, comprometeu boa parte
da produção. Em muitos locais, pode até faltar fruta para abastecer o mercado. Com
menos fruta e maior demanda, o preço recebido pelos citricultores, que vem se
recuperando há pelo menos dois meses, deve continuar subindo ao longo do ano. As
chuvas do último semestre prejudicaram as floradas de setembro e novembro,
momento em que a flor dá origem a laranja. Outra dificuldade dos produtores é manter
os tratos culturais neste início de ano, já que a chuva continua.
Mesmo assim, este
deve ser um ano de preços maiores, o que pode animar os produtores que estavam
desestimulados com a citricultura. A safra 2009/2010 está terminando e os produtores
querem aproveitar o momento de valores em alta. O preço subiu para R$ 17,00 por
caixa de 40,8 Kg de laranja de mesa, contra R$ 10,00 por caixa de 40,8 Kg em
dezembro de 2009. A laranja de mesa, vendida no varejo, foi o produto que registrou o
maior aumento de preço nas últimas quatro semanas. A caixa subiu 41,1% em relação
às quatro semanas anteriores. O produtor que vende para a indústria também está
recebendo mais. Nesse caso, a alta foi de 14,1%. A explicação para os aumentos está
em uma combinação simples: oferta menor e demanda em alta. A recuperação de
preços deve manter-se ao longo deste ano.
Com a alta dos preços futuros do suco de laranja, a indústria brasileira está fechando
contratos em 2010 com valores 50% mais altos. A valorização se deve à previsão de
quebra de safra no Brasil e nos Estados Unidos. A partir de outubro de 2009, com a
previsão de queda na produção e com a redução estoques, os contratos já subiram
para patamares entre US$ 900 e US$ 1.000 a tonelada de suco de laranja concentrado
e congelado (FCOJ), mas em 2010 alguns já foram negociados a pelo menos US$ 1.500
a tonelada, segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos
(CitrusBR).
A maior pressão para a alta nos preços da fruta veio após as baixas
temperaturas entre o final do ano e o início de 2010 em pomares da Flórida, a região
que é a segunda maior produtora de laranja do mundo, atrás apenas de São Paulo. A oferta é menor. Além disso, em São Paulo as perdas com a estrelinha, doença causada
por um fungo que ataca as flores das laranjeiras, também deve contribuir para uma
perda na próxima safra, a ser colhida a partir de junho. A recuperação nos preços do
suco de laranja no último trimestre de 2009 evitou uma queda maior que os 19% na
receita com a exportação da bebida pelas empresas brasileiras, ante 2008. Dados da
CitrusBR apontam que o faturamento com as exportações da commodity encerraram
2009 em US$ 1,619 bilhão, contra US$ 1,997 bilhão em 2008. Foi o pior desempenho
desde 2006, quando o faturamento foi de US$ 1,469 bilhão. Já o volume de suco de
laranja concentrado e congelado (FCOJ) equivalente - que inclui a transformação do
volume de suco fresco, que tem mais água, em FCOJ - cresceu 0,7% em 2009 ante
2008, de 1,291 milhão de toneladas, para 1,301 milhão de toneladas. Mesmo com a
alta nos preços dos contratos novos, a entidade das indústrias afirma que ainda é cedo
para apostar se o preço do FCOJ chegará ao recorde histórico, de US$ 2,2 mil por
tonelada, obtido em 2006. Já os produtores de laranja devem sentir a melhora nos
preços pagos pela indústria processadora brasileira apenas no segundo semestre deste
ano, quando as companhias já praticarem os preços dos novos contratos.
Fonte: Carlos Cogo

