Noticias > Dólar: trajetória de baixa deve permanecer no longo prazo
O dólar barato veio para ficar, segundo as estimativas do mercado financeiro colhidas pelo Banco Central por meio do boletim Focus.
A pesquisa é feita semanalmente com mais de 100 instituições financeiras de todo o país e os resultados são divulgados às segundas-feiras.
Dados coletados pelo BC com os bancos mostram que, no início de 2007, o mercado financeiro projetava uma taxa de câmbio de R$ 2,53 por dólar para o final de 2011.
Após pouco mais de quatro meses, os mesmos agentes financeiros estimam que o câmbio, no fechamento de 2011, ficará em R$ 2,26 por dólar. Ou seja, o dólar continuará baixo por muito mais tempo.
A projeção da taxa de câmbio, porém, está intimamente ligada ao cenário traçado pelo mercado financeiro para a taxa de juros, a Selic, definida pelo Banco Central.
Atualmente, o mercado prevê um recuo da taxa de juros, que está em 12,50% ao ano, para 11% ao ano no fim de 2007. No fim de 2011, por sua vez, os juros cairiam para 8,25% ao ano. Se o recuo na taxa de juros for mais forte do que o esperado pelo mercado financeiro, pode haver uma subida maior do dólar.
Mas este cenário vai depender ainda de outras variáveis: como as exportações e os investimentos que estrangeiros aportam no Brasil, quer seja em títulos públicos ou no mercado acionário, entre outros.
Os investimentos de estrangeiros também dependem do risco Brasil, que está em queda - o que favorece a entrada de recursos no país.
Os principais reflexos do dólar barato, para a população, são dois: as empresas exportadoras lucram menos com suas vendas ao exterior, enquanto os importadores, na outra ponta, vêem suas vendas dispararem no mercado interno.
Enquanto isso, os pacotes turísticos ao exterior, por serem cotados em dólar, continuam sendo uma boa opção.
Para o diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto, o Brasil passará a exportar, basicamente, commodities (produtos básicos, como aço e grãos, que possuem cotação internacional), caso o cenário previsto para a taxa de câmbio nos próximos anos se concretize.
Com isso, venderia ao mercado externo menos produtos manufaturados - que possuem um maior valor agregado e que têm melhores preços. Haveria um desestímulo à industrialização e um impacto muito forte para o país, chegando a afetar setores que, por enquanto, estão indo bem, como de automóveis e autopeças, segundo José Augusto.
Em sua avaliação, porém, o Banco Central não deixaria um cenário destes acontecer, e acabaria implementando cortes mais ousados na taxa de juros como forma de evitar que o dólar permanecesse baixo por tanto tempo.
Fonte: Portal G1.
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