Noticias > Tendências de mercado favorável aos citricultores em 2007 O mercado do suco de laranja deve se manter firme em 2007, com os preços
firmes no mercado internacional e os estoques baixos nas processadoras,
tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, países que praticamente
dominam a produção da bebida. Já a colheita da fruta em São Paulo, que ficará entre 340 e 350 milhões de caixas de 40,8 Kg na safra 2006/2007,
será necessariamente menor na próxima safra, a partir de meados do ano que
vem, devido à bianualidade da cultura.
O processamento da atual safra
brasileira, estimado em 300 milhões de caixas de 40,8 Kg, deve ser todo
comercializado, ou seja, não haverá estoques também no início da safra
2007/2008, em julho do próximo ano.
Neste ano, no mesmo período, os
estoques nas indústrias de suco de laranja eram de 31 mil toneladas, ante
110 mil toneladas no mesmo período de 2005. O nível de estoque é
baixíssimo e as indústrias estão tendo de produzir primeiro para exportar
depois, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos
(Abecitrus).
A Abecitrus já avalia que serão comercializadas no exterior
nesta safra, entre julho de 2006 e junho de 2007, cerca de 1,2 milhão de
toneladas, ante 1,34 milhão de toneladas na safra passada e 1,41 milhão de
toneladas na safra recorde 2004/2005.
A queda nas exportações será
compensada no faturamento pelos preços altos do suco de laranja. Empresas
que processam o suco no Brasil dão como certo o aumento de até 50% nos
próximos 12 meses no faturamento, refletido pelos contratos já firmados.
Segundo a Abecitrus, o ano de 2007 deve marcar ainda a consolidação do
mercado asiático para o suco de laranja brasileiro e até mesmo um aumento
das exportações para os Estados Unidos, que, no ano passado, ampliaram a
taxação à bebida sob acusação de prática de dumping pelas processadoras do
País.
O preço para o mercado norte-americano subiu 7%, mas a produção
deles caiu 8% e sem a menor perspectiva de uma recuperação. O consumo
então vai regular essa diferença e o único fornecedor é o Brasil.
O
cenário de baixa produção e de ausência estoques vai manter a cotação do
suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) na Bolsa de Nova York
(Nybot) próxima dos 200 cents (US$ 2,00) por libra-peso e beirar os até
então inimagináveis US$ 2.900 por tonelada no mercado, níveis só vistos no
início da década de 90 do século passado.
Mas esses valores, na avaliação
de processadoras e exportadoras do Brasil, já são o teto para o suco de
laranja. No entanto, apesar do cenário otimista, todos os fundamentos que
poderiam pressionar a cotação do suco na bolsa já foram refletidos no
mercado futuro.
Além da indústria, quem também deve se beneficiar com a
disparada do suco de laranja no mercado futuro é boa parte dos produtores
fornecedores da fruta para o processamento no Brasil.
De acordo com a
Abecitrus, vários citricultores têm contratos com remuneração pela caixa
da fruta que prevêem um pagamento de um prêmio atrelado à cotação do FCOJ
no mercado internacional.
Os produtores que têm contratos fixos conseguem
até US$ 4,00 por caixa de 40,8 Kg e os que vendem as frutas sem contrato,
no mercado spot, chegam a receber mais de US$ 5,00 por caixa de 40,8 Kg.
Outra esperança para o próximo ano é o avanço das conversas entre UE e
Mercosul para a redução pela metade em quatro anos da tarifa imposta à
bebida, hoje em 15,5%.
A União Européia respondeu por 65% das importações
de suco de laranja brasileiro na safra 2005/2006, encerrada em julho, com
um volume de 872,8 mil toneladas ante um total comercializado pelo País de
1,34 milhão de toneladas no período.

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