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Noticias > Tangerina - Safra de pouco lucro

A supersafra no Sul de Minas Gerais e, ao mesmo tempo, a baixa rentabilidade das plantações na região central do estado obrigaram os produtores de tangerina – a popular mexerica – a buscar novos mercados de consumo da fruta. A colheita anuncia o melhor resultado da atividade nos últimos cinco anos em Campanha, Três Corações e Cambuquira, que voltaram a abastecer o varejo na Bahia, Pernambuco e no Ceará, depois de quase três anos comercializando nos destinos tradicionais – Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os fruticultores de Brumadinho, a apenas 51 quilômetros da capital mineira, onde eles vendem quase todo o seu produto, projetos de fabricação dos derivados da mexerica surgem como alternativa para pôr fim ao desestímulo com os baixos preços.
Até o fim de agosto, os produtores da região de Campanha, maior fornecedora de tangerina no estado, vão colher 30% a 40% do que foj produzido, na expectativa de contabilizar este ano 1 milhão de caixas de 20 quilos das variedades ponkan, murcote, rio e montenegrina, estima Luiz Fernando Tavares, há 12 anos no ramo, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais. “A florada e a chuva nos ajudaram muito a produzir quase o dobro do ano passado. Agora, é hora de correr atrás dos novos clientes”, afirma. Embora boa parte da colheita seja de frutas miúdas, com esse fartura, eles se esforçaram para reconquistar clientes no Nordeste do país.
Tavares conta que há contratos para serem cumpridos no Rio Grande do Sul, também favorecidos pela substituição de parte das lavouras de São Paulo, principal fornecedor de mexerica no Brasil, pelo cultivo da cana-de-açúcar. Para manter a boa safra, os produtores do Sul de Minas precisam não só garantir a permanência no Nordeste, como também retomar as vendas no mercado de BH, tarefa que a recém-criada cooperativa local dos fruticultores já tornou prioridade.
A colheita em Brumadinho, que disputa, palmo a palmo, com a cidade de Belo Vale o primeiro lugar na oferta de tangerina na CeasaMinas, desperta outra discussão entre os fruticultores, mas com idêntico objetivo de melhorar a rentabilidade. Ozir Alves Martins reserva 5 hectares do Sítio Boa Esperança à mexerica e fala entusiasmado dos planos para começar a usar a grande produção da fruta miúda na fabricação do suco concentrado, produto melhor remunerado. Há 14 anos no ramo, ele reclama que em apenas duas safras foi possível viver só dos ganhos da mexerica.
“Estamos no vermelho e a nossa saída passa pela união dos produtores nessa iniciativa de produzir o suco”, afirma. O quilo da fruta produzida em Brumadinho está sendo vendido a R$ 0,22, enquanto o ideal seria R$ 0,58, segundo Ricardo Vaz de Melo Passarinho, agronômo do escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG). A caixa de 20 quilos, comercializada pelos fruticultores a R$ 10 em abril e a R$ 6 nas últimas semanas, pode render R$ 25 na forma do suco. O projeto conta com o apoio dos técnicos da Emater-MG e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Agropecuária e Abastecimento numa cidade com tradição de produzir a mexerica há mais de 60 anos.
Fonte: Estado de Minas

 

 


 
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