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Noticias > Suco:tendências mundiais apontam alta no longo prazo

Segundo o especialista em citricultura mundial dos EUA, Michael Westcott Betenson, em maio de 2004, os contratos futuros de suco de laranja eram negociados em Nova York a menos de 55 centavos de dólar por libra-peso.

Citricultores desmotivados substituíram pomares por culturas de cana e soja e a indústria amargava prejuízos na venda de suco concentrado. Na semana passada, estes mesmos contratos futuros de suco atingiram US$ 1,65, patamar mais alto dos últimos 15 anos. Esta alta de 200% em dois anos sustenta-se na percepção de que há menos laranja no mundo.

De fato, além da substituição de pomares de laranja por outras culturas mais rentáveis, em especial pela cana-de-açúcar, a disseminação do greening e da morte súbita no Brasil levou ao corte de milhares de árvores.

A ocorrência de furacões na Flórida (três em 2004 e um em 2005) também derrubou quantidades substanciais de árvores e frutos, propagando o cancro e o greening, que até então estavam dormentes naquele estado americano. Outro fator menos evidente, mas de forte influência nos preços atuais do suco, diz respeito à atuação dos fundos de investimento com dinheiro especulativo.

As baixas taxas de juros no mundo têm levado investidores a buscar outras opções de investimento e as commodities de modo geral têm se beneficiado com este comportamento. Basta notar os recordes de alta no ouro, petróleo, cobre, açúcar e suco de laranja. Em relação ao longo prazo, salvo uma nova catástrofe nos EUA da magnitude de um furacão ou de uma geada, não há como os preços se sustentarem muito acima de US$ 1,50 na bolsa de Nova York.

Os altos preços praticados no momento não são saudáveis, pois acabarão por afetar a demanda por suco de laranja, algo que custará a se reconquistar, segundo ele. Este fenômeno já é observado nos EUA, onde dados da Nielsen apontam para uma redução no consumo de suco concentrado de cerca de 10% em 2006.

Em contrapartida, não se acredita que os preços possam cair mais de 25% em relação aos níveis atuais, pois há equilíbrio na oferta e na demanda de suco mundial, mesmo que a balança penda ligeiramente para a redução de estoques. Pois de um lado temos os pomares do Flórida muito antigos e o replantio das árvores, que vão levar tempo até produzirem da mesma forma.

De outro temos a China, em franca expansão econômica, que vem aumentando sua demanda por suco de laranja. Em suma, com este prognóstico de preços altos no longo prazo, o citricultor brasileiro pode começar a sorrir, pois as perspectivas são bastante atraentes para a citricultura brasileira. O único senão, neste cenário, continua sendo a questão do real forte.

Fonte: Carlos Cogo


 
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