Noticias
> Estados Unidos: preço
do suco de laranja em NY é recorde em 14 anos
O preço do suco de laranja subiu nessa terça-feira
(02-05) 5,5% na bolsa de Nova York, para 154,70 centavos
de dólar por libra peso. Foi o mais alto valor cotado
nos últimos 14 anos. Informações de
que a safra de laranja no estado americano da Flórida,
ainda em andamento, não alcançará o
volume esperado, provocaram a alta dos preços. A colheita,
até o momento, resultou em um volume de frutas 17%
menor do que em igual período do ano passado.
A perspectiva de o Brasil colher, a partir deste mês,
350 milhões de caixas de laranja, não contribui
para acalmar o mercado, diz o analista Michael MacDougall,
da Fimat. Os citricultores brasileiros esperam que os preços
altos contribuam, ao menos, para convencer a indústria
brasileira de suco a remunerar melhor a laranja. Mas, segundo
o produtor Marco Antônio dos Santos, as empresas resistem.
A suspeita é de que as indústrias resistam.
Deixem para negociar novas bases para a remuneração
da laranja só na última hora. Com isso, forçarão
os produtores a aceitarem qualquer valor pela fruta, pressionados
pela necessidade de iniciar a colheita. Marco Antônio
dos Santos é presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga
(SP). Para ele, os argumentos apresentados pela indústria
não resistem a nenhuma análise. "É tudo
jogo de cena", afirmou.
O citricultor se refere à declaração
feita por representantes das quatro principais indústrias
do setor (Cutrale, Citrosuco, Citrovita e Coinbra) de que
não existe clima para negociação. As
empresas estão sendo acusadas pela Secretaria de Defesa
Econômica (SDE) de prática de cartel e, por
isso, não aceitam fixar um preço linear para
a laranja. Esse foi o argumento apresentado durante a reunião
da semana passada na sede da Federação da Agricultura
do Estado de São Paulo (Faesp) pelos representantes
do setor, informa o citricultor.
Numa tentativa de contornar essa questão, os produtores
representados pela Faesp decidiram aceitar a manutenção
dos contratos, fixar uma taxa mais elevada para o câmbio
definido no momento em que assinaram os contratos e exigir
uma verba extra para custear a colheita e o frete para o
transporte da fruta até a indústria.
Normas de segurança criadas pelo Ministério
do Trabalho contribuem para elevar os custos da colheita,
informa o citricultor. O colhedor de laranja deve estar protegido
por luvas, óculos, toca e chapéu para executar
seus trabalho. Além disso, deve dispor de banheiro
sanitário, recinto coberto e mesa adequada para fazer
as suas refeições. Tudo isso, diz Santos, eleva
o preço da colheita para R$ 2,00 a caixa. Soma-se
a isso o custo estimado entre R$ 0,60 e R$ 0,80 por conta
do frete, para uma distância média de 50 quilômetros
até a indústria.
Taxas americanas
O consultor da Fimat, Michael MacDougall, explica que o início
da colheita brasileira não deve influir nas cotações
do suco na Bolsa de Nova York porque o produto brasileiro é onerado
por pesados impostos alfandegários. O suco chega ao
país mais caro do que o produto americano. Com as
sucessivas altas, segundo acredita, essa situação
poderá se inverter. "É possível
que, com as cotações recordes em Nova York,
o custo do produto brasileiro se torne compensador e poderá competir
com o americano".
Fonte: Gazeta
Mercantil
 |
|