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> Cutrale
aceita negociar nova fórmula para o pagamento da laranja
A Cutrale, maior empresa de sucos cítricos do mundo
e responsável no Brasil pelo esmagamento de 30% da
produção local de laranja, aceitou nessa quarta-feira
(01-02) negociar uma nova forma de cálculo para a
remuneração dos citricultores. O acordo, firmado
no Ofício do Ministério Público do Trabalho
de Araraquara (SP), foi comemorado pelo presidente da Associação
Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio
Viegas, que já há algum tempo reivindica uma
nova fórmula de pagamento pelo fornecimento da matéria-prima.
Além de Viegas, participaram das negociações
de ontem, o diretor de Finanças e Administração
da Cutrale, José Cervatto, e o presidente da Federação
dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São
Paulo (Feraesp), Élio Neves.
O novo sistema de pagamento deverá levar em conta os requisitos previstos
na legislação trabalhista e também as questões
sociais para atender às exigências que cada vez mais são
feitas pelos importadores estrangeiros. A Cutrale, segundo Viegas, é uma
das maiores fornecedoras de suco de laranja ao mercado americano. A bebida é distribuída
pela Coca-Cola que acompanha atentamente as condições de trabalho
dos funcionários da empresa, que se encarrega da colheita da laranja
nas propriedades dos produtores independentes da fruta.
Foi formado um grupo de trabalho com a participação de representantes
da indústria, dos produtores e do governo. A reunião deverá ocorrer
na primeira semana de março.
O modelo reivindicado pelos citricultores é semelhante
ao negociado entre os plantadores de cana e as usinas de
açúcar e álcool. De acordo com as regras
fixadas pelo setor sucro-alcooleiro, o que vale não é volume
de cana entregue às usinas, mas a qualidade do produto
e o rendimento que a cana proporciona no momento da moagem.
Os plantadores independentes de cana, segundo o definido
no Consecana, têm participação nos lucros
da usina por ocasião da comercialização
do produto final.
O chamado contrato padrão para a remuneração da laranja
vigorou por anos até a década de 90. Foi substituído pelo
sistema de pagamento com base no número de caixas fornecidas à indústria
por determinação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade). Foram os próprios citricultores que reivindicaram a suspensão
desses contratos na ocasião.
Isabel Dias de Aguiar
Fonte : Gazeta Mercantil
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