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Noticias > EUA: produção de citros tem futuro ameaçado

A citricultura dos EUA enfrenta o avanço do cancro cítrico e do greening, a nova realidade dos furacões que acabam trazendo mais preocupação do que as geadas dos anos 1970/1980. De fato, enquanto os efeitos das geadas podiam ser avaliados de imediato, o efeito dos furacões tem um dano imediato que pode ser logo visto, também, e outro de mais difícil avaliação que é a transmissão de doenças como o cancro cítrico e o greening. Tão séria essa repercussão tardia que o governo americano resolveu suspender a lei que obrigava a erradicação das árvores contaminadas pela bactéria do cancro e compensava o citricultor por essa perda, entendendo que os furacões tornam a contaminação incontrolável. Com isso, vem a insegurança dos novos investimentos necessários para proteger a citricultura local, começando por erradicar todos os viveiros a céu aberto e só produzir mudar em viveiros telados. A situação no Brasil é semelhante. Não temos os furacões climáticos, é certo, embora não escapemos de abalos de outra espécie, de natureza política, como vimos em 2005. Nossos viveiros são completamente telados. Os 550 viveiros telados custaram mais de US$ 500 milhões, em cinco anos, sem nenhuma ajuda oficial. As propriedades cercadas têm controle de trânsito de pessoas e veículos. Os citricultores sabem que se as doenças obrigarem à erradicação nenhuma compensação virá do governo e, portanto, se cuidam como podem. Temos uma instituição como o Fundecitrus, financiada pelo setor privado e dedicada a produzir e difundir tecnologia de controle fitosanitário, em parcerias com institutos brasileiros e estrangeiros na Europa e Estados Unidos. Mas, no restante, há desafios para a citricultura no Brasil. São custos altos para todo o sistema produtivo; Cancro Cítrico, Morte Súbita dos Citros, Greening e CVC (que não afeta os pomares americanos), reduzindo as colheitas e a vida útil dos pomares; moeda sobrevalorizada; incrível carga tributária; burocracia sufocante; barreiras e medidas protecionistas nos mercados compradores, especialmente nos Estados Unidos, agora ampliado por um procedimento anti-dumping. Produzindo quase 90% do suco de laranja consumido no mundo, com perfis mercadológicos opostos (os americanos consomem o que produzem, os brasileiros exportam quase toda a produção). Segundo a Abecitrus, EUA e Brasil podem, portanto, pesquisar juntos, porque as doenças são as mesmas; atuar juntos nos organismos internacionais para reduzir barreiras e ampliar os mercados; desenvolver campanhas de marketing para o suco de laranja. Quanto maior for a demanda, melhores os preços. Quando mais amplo o mercado, menor a volatilidade dos preços e da oferta. Este é um discurso que a Abecitrus tem há 18 anos, desde a sua fundação. A cooperação no ambiente de pesquisa já existe e é muito boa. Falta uma agenda comum nas demais áreas. Os problemas atuais seriam estímulos suficientes para desenvolver uma agenda comum com os EUA, em benefício de todos, segundo a Abecitrus.

Fonte: Carlos Cogo


 
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