Noticias
> Expectativa de alta para as commodities
em 2006
As cotações das principais commodities agrícolas transacionadas
pelo Brasil no exterior deverão permanecer firmes ou mesmo subir ao longo
deste ano. Para os grãos negociados na bolsa de Chicago (soja, milho e
trigo), fatores como clima nas Américas do Sul e do Norte e plantio nos
Estados Unidos, ainda indefinidos, terão grande peso na formação
dos preços, mas há sinais que indicam mercados sustentados. Para
os produtos que têm na bolsa de Nova York sua principal referência
(açúcar, café, cacau, suco de laranja e algodão),
o quadro de oferta e demanda sugere valorizações. "No mercado de soja [principal cultura agrícola
produzida e exportada pelo país], os preços
deverão seguir sua lógica histórica:
ou seja, serão mais baixos no primeiro semestre e
melhores no segundo. Mas os sinais de estiagem no Sul do
Brasil poderão oferecer melhor sustentação
também no início do ano [como já aconteceu
em dezembro]", diz Renato Sayeg, da Tetras Corretora.
Fontes ligadas às indústrias processadoras
lembram, porém, que os estoques globais do grão
seguem elevados e que as previsões atuais ainda sinalizam
safras recordes no Brasil e Argentina. Em contrapartida,
a soja poderá perder espaço para o milho na
safra 2006/07, que começará a ser plantada
no segundo trimestre.
Em 2005, os gordos estoques mundiais
mantiveram as cotações
da soja sob pressão durante boa parte do ano. Segundo
cálculo do Valor Data baseado nas médias anuais
dos contratos de segunda posição de entrega,
houve baixa de 16,41% em relação a 2004. "Não é o
fundo do poço, mas é um patamar baixo",
diz Antonio Sartori, da Brasoja. Seneri Paludo, da Agência
Rural, lembra que não são apenas os estoques
dos Estados Unidos que estão altos. Com o câmbio
desfavorável às exportações,
os estoques brasileiros também inflaram.
No caso do milho, Paulo Molinari,
da Safras&Mercado,
espera cotações mais firmes no primeiro semestre.
Os estoques globais do grão também estão
elevados - nos EUA, encontram-se no mais alto nível
desde a década de 80 -, mas, por outro lado, a demanda
está aquecida por conta da febre americana por etanol,
provocada pelo petróleo caro. "O etanol não é um
fator novo, mas de fato seu peso cresceu", afirma o
analista. Em 2005, a cotação média do
grão foi 15,5% menor que no ano anterior.
Já a expectativa de pouca oferta de trigo de boa
qualidade tende a sustentar os preços da commodity
em 2006, conforme Aldo Lobo, também da Safras. No
ano passado, a cotação média foi 6,91%
menor que a registrada em 2004, sempre de acordo com o Valor
Data. Como aconteceu em 2005, as maiores alegrias para os
exportadores brasileiros de commodities agrícolas
deverão vir de Nova York.
O açúcar, que entre as commodities pesquisadas
registrou grande salto em seu preço médio no
ano passado - 31,51% -, a boa demanda por álcool seguirá oferecendo
sustentação, e a perspectiva de queda da oferta
de países como Tailândia, Paquistão e
China é outro fator que corrobora a expectativa de
novas valorizações, de acordo com Michael McDougall,
diretor da Fimat Futures para a América Latina. Ele
não descarta, entretanto, um pequeno ajuste para baixo
neste início de ano.
Outro produto que vive fase de redução da
oferta e aumento da demanda é o suco de laranja. Ademerval
Garcia, presidente da Associação Brasileira
dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), lembra que
a passagem de furacões pelos pomares de laranja da
Flórida reduziu a produção e os estoques
de suco nos EUA e, por tabela, também no Brasil. É de
se esperar, portanto, um ciclo mais longo de cotações
firmes. Em 2005, a alta do preço médio chegou
a 44,73%..
Para o café, que disparou em 2005 e encerrou o ano
com preço médio 40,51% maior que em 2004, o
cenário é igualmente otimista. "As cotações
poderão até mudar novamente de patamar",
afirma Rodrigo Corrêa Costa, operador da Fimat. No
fim de 2004, os preços subiram um degrau, portanto
a baixa no segundo semestre de 2005 não pode ser considerada
uma má notícia. Segundo Costa, o mercado já "assimilou" o
tamanho da nova safra brasileira, que será maior em
2006/07, e está de olho na colheita de 2007, que deve
ser menor por conta do ciclo de produtividade baixa do café.
Alexandre Mourani, da Ágora Senior, diz que também
sustentarão as cotações a redução
dos estoques mundiais.
Também para o algodão a expectativa é que
as cotações fiquem firmes, sobretudo com as
notícias de que China e outros produtores, entre eles
Brasil, Paquistão e Usbequistão, produzirão
menos. "A supersafra americana em 2005 pressionou as
cotações, o que desestimulou o plantio em outros
países", disse Miguel Biegai, da Safras&Mercado. "Mas
houve um repique de preços no segundo semestre por
causa dos furacões nos EUA e do terremoto no Paquistão",
ressalvou. No fim, o preço médio recuou 6,78%
em relação a 2004.
Para o cacau, finalmente, a previsão de déficit
mundial em torno de 100 mil toneladas sinaliza alta de preços. "A
produção mundial deverá ficar abaixo
do consumo", afirma Thomas Hartmann, da TH Consultoria. "No
ano passado os preços internacionais do cacau oscilaram
entre US$ 1.350 e US$ 1.500 a tonelada. A previsão é de
preços mais firmes". No ano, o preço médio
caiu 0,91% sobre 2004.
Mônica Scaramuzzo e Fernando
Lopes
Fonte: Valor Econômico
|