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> Subsídios
limitam crescimento do agronegócio brasileiro
A posição de destaque do Brasil no mercado
internacional do agronegócio surpreende o mundo
e incomoda os competidores. Resulta da conjugação
de vantagens competitivas notórias, como a disponibilidade
de recursos naturais, a capacidade empreendedora dos empresários
rurais e o trabalho realizado por instituições
e empresas voltadas à pesquisa e desenvolvimento
de tecnologia agropecuária.
Os resultados foram ampliados pela
situação
favorável dos mercados de commodities e a paridade
cambial vigentes até 2004. Esta conjunção
de fatores positivos permitiu ao agronegócio brasileiro
contrabalançar as sérias restrições
internas – como a carência de infra-estrutura
e o elevado custo do dinheiro – e o protecionismo
praticado pelas nações desenvolvidas.
Líder internacional na produção ou
exportação em importantes mercados – soja,
carnes, açúcar, café, suco de laranja,
celulose e papel, dentre outros – a agricultura brasileira
registrou enorme salto de produtividade nos últimos
anos (veja a figura 01), a despeito da redução
do apoio orçamentário do governo à atividade.
Por outro lado, os números revelam um vigoroso
crescimento do Brasil no comércio agrícola
global. Em 1993, a exportação do agronegócio
era de US$ 15,9 bilhões, com superávit de
US$ 11,7 bilhões. No acumulado dos últimos
doze meses até setembro de 2005, as vendas externas
chegaram a US$ 41,6 bilhões, gerando um saldo de
US$ 36,6 bilhões. O desempenho só não é melhor
devido às distorções do mercado internacional,
decorrentes de subsídios à exportação,
políticas de apoio interno com efeitos negativos
sobre os preços das commodities e barreiras de acesso
a mercados, que envolvem exigências sanitárias,
ambientais e sociais.
A agricultura brasileira não conta mais com os
fartos créditos concedidos nas décadas de
60 e 70, quando o volume de recursos oficiais chegou a
atingir o pico de 85% do PIB da agropecuária. Na época,
boa parte do crédito era concedida com recursos
públicos. Hoje, o governo direciona recursos privados
ao financiamento da agropecuária, como é o
caso das exigibilidades sobre os depósitos à vista
no sistema bancário. O total de crédito rural
controlado, em 2004, correspondeu a apenas 29% do PIB agropecuário
(veja a figura 02).
Segundo a Organização para Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o apoio do governo
brasileiro aos produtores, medido pelo PSE (Estimativa
de Apoio ao Produtor), representou apenas 3% do valor bruto
das receitas dos produtores rurais em 2002-2004. É uma
taxa muito abaixo da média praticada pelos países
que integram a OCDE (30%), EUA (17%) e Japão (58%).
As transferências totais à agricultura dos
países da OCDE, medidas pela Estimativa de Apoio
Total (TSE), foram de US$ 378 bilhões em 2004. Evidentemente,
subsídios desta monta provocam graves distorções
sobre o comércio internacional de produtos agroindustriais,
prejudicando fortemente os países com vocação
agrícola, atividade que possui fortes efeitos multiplicadores
sobre os demais segmentos da economia. É o caso
do Brasil, cuja população seria particularmente
beneficiada por uma liberalização do comércio
agrícola internacional, conforme pleiteia o país
na OMC.
Os estudos da OCDE indicam que
um corte de 50% nas tarifas e subsídios à exportação, em
termos globais e para todos os setores, e uma redução
de 50% no apoio doméstico à agricultura nos
seus países membros, proporcionariam um ganho de
bem-estar ao Brasil de US$ 1,7 bilhão, equivalente
a aproximadamente 0,3% do PIB. Cerca de 59% da melhoria
de bem-estar decorreriam das reduções tarifárias
sobre produtos agropecuários pelos membros da OCDE.
O Brasil apropriar-se-ia de mais da metade de todos os
ganhos dos países em desenvolvimento decorrentes
das reformas agrícolas dos países da OCDE
(veja a figura 03). Os dados da OCDE consubstanciam a posição
agressiva defendida pelo agronegócio brasileiro
nas negociações internacionais, especialmente
no âmbito da OMC.
Nesse contexto, para fortalecer
a competitividade do agronegócio,
o Brasil vem adotando diversas medidas de política
agrícola, como a criação de novos
e modernos instrumentos – uma ponte entre o setor
e o mercado financeiro e de capitais – para reduzir
o custo do capital e ampliar a liquidez da comercialização
agrícola. Compõem a “nova rodovia financeira
do agronegócio” títulos destinados
ao refinanciamento de recebíveis originados nas
relações comerciais entre produtores rurais
e empresas que operam no setor, como o Certificado de Direitos
Creditórios do Agronegócio (CDCA), a Letra
de Crédito do Agronegócio (LCA) e o Certificado
de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
Para reforçar ainda mais a capacidade de acesso
do agronegócio aos recursos existentes no mercado
doméstico e internacional de capitais, a Comissão
de Valores Mobiliários (CVM) acaba de regulamentar
a Nota Comercial do Agronegócio (NCA) ou Agrinote,
o clássico commercial paper, redesenhado para o
agronegócio. Adicionalmente, o governo está implantando
medidas para desenvolver o mercado de seguro rural. Outros
dois novos títulos, o Certificado de Depósito
Agropecuário (CDA) e o Warrant Agropecuário
(WA), devem conferir maior liquidez à comercialização.
Com os novos títulos, fundos de investimentos ou
pessoas físicas poderão "apostar" no
risco de preço de produtos agrícolas e nas
oportunidades geradas pelo agronegócio. Os novos
títulos têm a vantagem da não incidência
de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
e do ICMS na negociação do CDA-WA.
Todas estas medidas e novidades
encorpam o processo de modernização do agronegócio brasileiro,
sem dúvida. Tais ações, entretanto,
não são o bastante para fazer frente aos
limites impostos ao crescimento decorrentes dos vultosos
subsídios à agricultura dos países
desenvolvidos, cuja redução é crucial
para o desenvolvimento econômico e o bem-estar de
populações de países com forte expressão
agroindustrial, como o Brasil.
Assessoria de Imprensa
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento
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