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Noticias > Citros: incidência de CVC segue estável, mas severidade aumenta

Levantamento por amostragem realizado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) entre julho e agosto deste ano apontou que a incidência da Clorose Variegada dos Citros (CVC) no parque citrícola comercial brasileiro segue praticamente estável pelo terceiro ano consecutivo. Os dados, divulgados hoje na sede da entidade, em Araraquara (SP), apontam ainda redução do índice da CVC em pomares jovens por meio da adoção do manejo adequado, porém a severidade da doença se agrava, principalmente nos pomares adultos.

De acordo com o levantamento, a CVC atinge 43,28% das plantas do parque citrícola, número semelhante aos anos de 2004 (43,84%) e 2003 (43,56%). A amostra foi realizada em 75 mil talhões cadastrados no parque citrícola, equivalente a mais 170 milhões de plantas. Em 2005, 37,02% das plantas estavam com os níveis mais severos de infestação, ou seja, sintomas em frutos. Em 2004, eram 35,98% e, em 2003, 33,18%. A intensidade da CVC é maior principalmente em pomares entre seis e dez anos de idade e com mais de dez anos. Estes apresentaram índices de contaminação de, respectivamente, 58,61% e 47,52%, tendência já verificada anos anteriores.

A pesquisa, elaborada e coordenada pelo estatístico José Carlos Barbosa, do departamento de Ciências Exatas da Unesp de Jaboticabal, levou em consideração o nível de infestação da CVC na planta: plantas com nível 0 não apresentam sintomas; plantas com nível 1 apresentam sintomas apenas em folhas; plantas com nível 2 apresentam os sintomas em frutos. Já a contaminação nas plantas novas, de até dois anos, caiu de 5,66% das árvores no ano passado, para 3,06% agora. Plantas com idade entre três e cinco anos também apresentam índices baixos de contaminação, cerca de 19%.

De acordo com o Fundecitrus, a redução da doença em plantas mais jovens comprova que as propriedades que adotam plantio de muda sadia, poda ou eliminação de plantas doentes e controle efetivo de cigarrinhas (inseto vetor) nos novos pomares têm obtido bons resultados. Entre as regiões, norte, noroeste e central do parque citrícola são, respectivamente, as que apresentam maior incidência da CVC. No norte do parque, 69,74% das plantas apresentam algum nível de contaminação; no noroeste, 56,25%; e na região central, 51,96%. As regiões Oeste e Sudeste têm índices baixos: 9,5% e 4,72%, respectivamente.

A disparidade na incidência da doença nas diversas regiões está ligada a fatores climáticos e à população de vetores, além de os primeiros registros terem sido feitos nas zonas com maior incidência, indicando que a doença está lá há mais tempo. A CVC, conhecida popularmente como amarelinho, é uma doença causada pela bactéria Xylella fastidiosa, que atinge todas as variedades de citros comerciais. A bactéria provoca o entupimento dos vasos responsáveis por levar água e nutrientes da raiz para a copa da planta. A produção do pomar afetado cai rapidamente, os frutos ficam duros, pequenos e amadurecem precocemente. A perda de peso do fruto pode chegar a 75%.

Gustavo Porto
Fonte: Agência Estado


 
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