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Noticias > Primeiras observações sobre o parasitismo natural do psilídeo Diaphorina citri por Tamarixia radiata em São Paulo


Mariuxi Gómez Torres
Dori Edson Nava
Paulo Eduardo Branco Paiva
Marjorie Rodrigues
José Mauricio Simões Bento
José Roberto Postali Parra

Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola Escola Superior de Agricutura "Luiz de Queiroz" (ESALQ/USP)

A grande preocupação com o registro do greening ("huanglongbing") no Brasil, em 2004, tem exigido o esforço de pesquisadores na busca de meios para minimizar os problemas com a referida doença.

A busca por uma diminuição da população do inseto transmissor do greening, o psilídeo Diaphorina citri, era uma das metas iniciais da pesquisa em andamento. E já nas primeiras investigações, constatou-se a ocorrência natural do parasitóide Tamarixia radiata (Figura 1) no país, fato este até então desconhecido pela comunidade científica. A princípio, a descoberta descartou a importação de "strains" dessa espécie de outros países para o controle biológico de D. citri (Figura 1).

O parasitóide ninfal foi registrado em praticamente todas as áreas citrícolas do estado de São Paulo (Figura 2), no período de março a julho de 2005. O parasitismo tem sido alto, variando de 27,5 a 80%, mesmo em áreas em que o "greening" tem sido referido em níveis elevados, como em São Carlos (Figura 2).

O material coletado e transportado para o laboratório de Biologia de Insetos, no Departamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola da ESALQ/USP, em Piracicaba, tem registrado altas emergências do parasitóide, variando entre 43,2 a 80% (Figura 2).

Figura 1 - Ciclo biológico (ovo-adulto) do psilídeo Diaphorina citri e do seu parasitóide Tamarixia radiata




Figura 2 - Parasitismo do psilíedo Diaphorina citri por Tamarixia radiata e emergência do parasitóide (entre parênteses) em 9 áreas citrícolas do estado de São Paulo.



Deve-se considerar que estas taxas de parasitismo ocorreram no outono de 2005 em pomares com adequado manejo de pragas e doenças. Mas, variações populacionais (da praga e do parasitóide) podem ocorrer em outras épocas do ano, dependendo da região e do manejo adotado na cultura.

De qualquer forma, os resultados da ação do inimigo natural são significativos e sugerem que a sua população poderá aumentar com a liberação do parasitóide criado em laboratório à semelhança do que foi feito para o controle do minador-dos-citros após 1998 pela ESALQ e Gravena Manecol, com a liberação de Ageniaspis citricola.

O parasitóide T. radiata começará a ser produzido e liberado nos próximos meses pela ESALQ. Para tal produção, têm sido realizados alguns trabalhos com a praga. Observou-se, por exemplo, que o psilídeo Diaphorina citri prefere ovipositar em Citrus limonia e Murraya paniculata (murta) do que em C. sunki. A duração da fase ninfal foi constante nos 3 hospedeiros estudados, mas a viabilidade é maior em Citrus limonia e murta comparado com C. sunki (Tabela 1).

Estas informações poderão ser úteis na produção do parasitóide T. radiata em laboratório, para posterior liberação no campo.

Tabela 1 - Oviposição, duração e viabilidade da fase ninfal do psilídeo Diaphorina citri em diferentes hospedeiros.

Hospedeiros
Oviposição/24h
(n o de ovos/planta)
Fase Ninfal
Duração (dias)
Viabilidade (%)
C. limonia
27,6 a
14,2 +- 0,04 a
47,6 a
Murraya paniculata
19,8 a
13,9 +- 0,03 a
31,8 ab
C. sunki
0,5 b
13,6 + - 0,17 a
10,4 b
Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey.

Fonte: Fundecitrus

 
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